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O diretor espiritual e o psicólogo atuam no mesmo campo?

24 NOV 2016
24 de Novembro de 2016

Conheça a diferença entre o diretor espiritual e o psicólogo

Tanto o diretor espiritual quanto o psicólogo atuam no mesmo campo: o auxílio à pessoa humana. No entanto, a vertente e a finalidade são diferenciadas.

O psicólogo procura auxiliar a pessoa na compreensão de si mesma e de seus traumas ou experiências significativas, com o fim de melhorar a atuação do cliente dentro do universo que o cerca. O diretor espiritual, no mesmo processo de escuta, procura orientar a pessoa na experiência de Deus; evidentemente, sem esquecer todas as dimensões que compõem a grandeza de cada um.

O diretor espiritual e o psicólogo atuam no mesmo campoFoto: Copyright:gradyreese

Diferença do psicólogo e o diretor espiritual

O psicólogo não dá nada pronto. Com auxílio do terapeuta, o cliente aprende a ler o significado de sua vida e suas condicionantes para redirecionar muitos aspectos de sua existência em busca da felicidade. O diretor espiritual, um pouco diferente do psicólogo, procura orientar a pessoa, exerce realmente um relacionamento de ensino e orientação.

A direção espiritual jamais pode se confundir com uma sessão de terapia, pois fugiria por completo de sua finalidade precípua, que é a orientação espiritual ou ajuda para melhorar o relacionamento com Deus.

Inegavelmente, um bom diretor espiritual não pode ignorar a contribuição da ciência do comportamento, a psicologia, no processo de compreensão do humano e na sua orientação para Deus. Desta feita, requer-se do diretor espiritual pelo menos uma noção geral de psicologia. Em determinados momentos ou etapas da direção espiritual, o entreposto de alguns condicionamentos no caminho do crescimento requer noções de temperamentos e outras expressões do comportamento humano para chegar a uma madura orientação.

Reflita

Um exemplo fictício: apresenta-se a mim um jovem seminarista que será meu dirigido espiritual por quatro anos, durante todo o período do curso de teologia. Eu sou de Goiás e ele é de uma diocese do nordeste. Depois de ordenado, dificilmente nos encontraremos. Fomos trabalhando juntos sua direção espiritual. Muitos aspectos são revisados: a vida pessoal de oração, a vida comunitária, a espiritualidade do tempo litúrgico, a superação de alguns limites humanos etc. Um dia, no início de agosto, véspera do Dia dos Pais, resolvo trabalhar com ele o tema: “Quem é Deus Pai para você, na sua vida de oração?”?.

Naquele dia, descobrimos algo importante na vida dele: não possuía a imagem de Deus Pai. Ele se relacionava muito bem com Jesus, o Espírito Santo e possuía muito afeto pela Virgem Maria. Tive que usar de conhecimentos psicológicos para ajudar o jovem a resgatar a imagem perdida de pai. Não conhecera o pai terreno que havia morrido em situação estranha durante o período de sua gravidez. Sua mãe, por não gostar do pai dele, nunca lhe falou nada de bom do falecido. A ausência do pai lhe ofuscara o caminho de relacionamento com Deus Pai.

O recurso da psicologia, a volta com Jesus à sua infância, uma espécie de cura interior, possibilitou resgatar o verdadeiro sentido de uma espiritualidade sadia e libertadora que se dirige ao amor infinito de Deus Pai. Isso o auxiliou, mais tarde, como padre, a fazer as pessoas se abrirem à misericórdia. Ele entendeu melhor a passagem do Filho Pródigo e teve forças para perdoar a mãe, pois sua avó, na agonia da morte, contara-lhe que a mãe dele havia tramado a morte do seu pai. Mas nem por isso perdeu seu afeto pela Mãe de Jesus, pois havia amadurecido sua espiritualidade a partir do momento que assumiu a vivência de um processo difícil, que estava impedindo que o desaguadouro da graça inundasse de sentido o seu existir.

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Seria bom que certos psicólogos não interferissem drasticamente na espiritualidade dos seus clientes, a ponto de deletá-la. Assim, alcançaríamos o nível da interação ou simbiose de duas dimensões que culminariam no equilíbrio da pessoa. Apenas os excessos anômalos seriam cortados. O mal reside sempre nos excessos que desanda a pessoa por caminhos que atravancam o processo de libertação.

Direção espiritual

Vejam que não é muito fácil exercer o serviço da direção espiritual. Não se trata apenas de dar receitas espirituais ou simplesmente ensinar a pessoa dirigida a rezar. O orientador espiritual precisa conhecer o todo da pessoa e saber identificar certas dificuldades do dirigido em progredir decorrentes de experiências negativas, que podem atravancar os processos que conduzem a uma experiência razoável ou plena de Deus.

No próximo texto, vamos falar da relação do dirigido com o diretor. Algumas pessoas têm nos perguntado por bibliografia sobre o assunto, mas ainda é escasso o material sobre isso.

Temos um texto razoável publicado pela Loyola, cujo título é ‘A prática da direção espiritual’, de Willima A. Barry e William J. Connolly, de 1985.

Dom Adair José Guimarães

Fonte: http://formacao.cancaonova.com/atualidade/comportamento/o-diretor-espiritual-e-o-psicologo-atuam-no-mesmo-campo/
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